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Paulo Dias, Editor do saite.

AUTORES DA TORAH

Não foi Moisés quem escreveu a Bíblia. E sim, 4 autores principais escreveram ou recolheram o Livro: o Javista (trechos com ''Jeová''), o Eloísta (trechos com Elohim), o Deuteronomista (trechos de leis e regras), o Sacerdote (alguns trechos com Elohim, e outros não). Isto, falando em tese, pois esses 4 autores isso não aconteceu assim arrumadinho. Cada um desses autores não conheceu o outro.

PATRIARCAS

A arqueologia demonstra povos entrando e saindo de cidades, VINDOS do Elam, da Suméria, da Acádia, do Egito, da Babilônia, havendo uma alternância muito grande entre povos agricultores e povos pastores, que se transformavam incessantemente uns nos outros. A Bíblia corporifica o folclore de todos estes povos.

Isso quer dizer que ao lermos na Bíblia a história dos patriarcas, por exemplo, até mesmo a parte do Êxodo, isso levou milhares de anos pra acontecer. O povoamento de Israel em si teve outro percurso, no Livro tem apenas um resumo bem resumido.

O povoamento de Israel, resumindo o resumo, foi assim: as pessoas se instalaram ali por causa das estradas que percorriam a terra, tanto que as cidades AINDA HOJE alinham-se no rumo Norte- Sul. Estas estradas iam justamente do Egipto para Elam e Acade (acima).

E a vida se dava em torno da estrada. Onde houvesse fontes, cidade. Lavradores. Pousadas. Estalagens. Se a fonte secava, viravam pastores; isso o tempo todo, por milhares de anos. Até que virou Livro.

EXODO

Da mesma forma que a história patriarcal, o Êxodo também não aconteceu literalmente do modo contado no Livro. Houve na verdade muitos e muitos êxodos, todos resumidos num episódio só.

Os beduínos, livres por natureza, encaravam com muita desconfiança toda e qualquer fronteira ou muro. Eles precisavam ir ao Egipto, para comerciar ou se abrigar; e não gostavam nem um pouco quando os egípcios os prendiam, ou faziam exigências. Em egípciaco, beduíno é a mesma palavra que bandido. Destes conflitos sociais, naquele tempo enormes, repetidos por séculos sem conta, nasceu a narrativa.

Pois a grande verdade é que embora se tenham achado acampamentos beduínos na arqueologia do Sinai, não há sinais de uma migração em massa; estamos portanto diante de um simbolismo.

OS CINCO LIVROS

O PENTATEUCO mosaico inclui os livros: Bereshit - GENESIS; Shemot - EXODO; LEVITICO - Vaiqra; NUMEROS - Bemidvar; DEUTERONOMIO - Devarim. O nome Torah foi reservado aos livros de MOISES e significa, mais do que lei, o conceito de Cultura ou mesmo Civilização, formando a base de toda Cabala judaica. A Torah primeiro foi «uma única palavra», um texto escrito sem lacunas, sem espaço entre as palavras, sem pontuação nem acentos; os escribas memorizavam todo texto e deviam saber a leitura correta de cada passo, com a possibilidade de interpretar diversamente. Ainda hoje, para decifrar o CODIGO DA BIBLIA as letras devem ser lidas assim, em seguimento continuado.

CONSIDERANDO A ESCRITURA

DIZ A mais antiga tradição judaica, a Torah (Lei ou Pentateuco) foi ditada a MOISES ''letra por letra''. Contudo, 3 coisas devemos ver: ditado, registro, leitura. Veja Sefirot.

I. O DITADO. Desde o primeiro instante, MOISES preocupou-se em formar homens que pudessem memorizar a Lei tal como ela foi ditada, letra por letra. São os Escribas, os Sopherim [1] ou 'guardiães da palavra'. Ainda hoje, apenas eles podem escrever um novo Rolo da Lei ou Torah propriamente dita. E' primordial o escriba conhecer todo o texto de cor, no exato seguimento das letras.

II. O REGISTRO. Naquele tempo, 1.400 anos antes da Era Comum, o alfabeto ainda estava se desenvolvendo, surgido no Sinai de IDEOGRAMAS combinados entre hieróglifos e escrita cuneiforme, e logo adotado pelos fenícios; e na escrita ALFABETICA predominava o aspecto ideográfico: as letras representavam sons, mas podiam expressar ideias, p.ex., a letra ALEF, com um traço voltado acima e outro abaixo, podia simbolizar a comunhão céu-terra no ser humano; há 6 letras alef no primeiro verso do GENESIS, como os 6 dias do Criador.

O PAPIRO tampouco se usava largamente. Os livros eram orais, as palavras, escritas em pedra, madeira, cera, lousa. Os textos eram registrados letra por letra em quadros de madeira divididos 10 X 10 letras; para os mais importantes, se usava a pedra como no caso das Dez Palavras, o DECALOGO. Primitivamente, os 5 Livros de MOISES formavam um único texto corrido, registrado em quadros numéricos segundo um código, eis o que afirma a mais antiga tradição cf. acima. Veja MOISES.

III. A LEITURA. Mesmo entre os judeus, temos 3 diferentes tradições históricas de leitura da Palavra: a tradição babilônica, a de Jerusalém e o Rolo samaritano. O texto dos massoretas poderia, pois, ser lido de 2 modos diversos, segundo o escriba fosse da BABEL ou de JERUSALEM. Mas a Massorah representa apenas uma das possibilidades de leitura, podendo haver outras, de acordo com o discernimento, Hhohhmah [2] do escriba.

«Por que motivo o mundo teria sido criado com a letra Bet? - Tal como a forma da letra Bet é fechada de 3 lados e aberta à frente, nós também não estamos autorizados a preocuparmo-nos com o que está debaixo ou por cima da terra, nem com o que aconteceu antes de este mundo ser criado... Devemos, tão somente, preocuparmo-nos com o que aconteceu desde a Criação do mundo, com o que está perante nós na terra» (Bereshit Raba 1,10).

A verdade acima, «a forma da letra» foi possível porque naquele tempo havia a leitura fonética mas igualmente o reconhecimento da ideografia do fonema. Quando, pois, dizemos hoje que o texto bíblico massorético é o mesmo que foi ditado a MOISES, o que estamos realmente querendo dizer?

Torah PARA bem compreender o que significa de facto a Torah, aqui vai a leitura Derashah (simbolista) de pequeno trecho do GENESIS segundo Shimeon bar Iochai, o cabalista autor, talvez, do Zohar. Viveu na era romana, tem 2 mil anos. Existe forte analogia deste texto com o hermetismo e o Caibalion.

BER'ESHIT

¹No princípio das bênçãos, D-us em seus poderes faz o repouso e o movimento, o infinito e o existir, o céu e a terra em comunhão. [3]

²Mas no princípio a criação existe apenas em potencial; a vida latente encobre a face do infinito; o sopro divino vibra sobre a forma primordial. ³E D-us, seus Poderes, diz, HAJA luz! e houve luz [inteligência].

4 E D-us, seus Poderes, afirma no entendimento o Bem, e determina diversidade entre o espírito e a vida latente.

5Por isso D-us, seus Poderes, afirma que a inteligência é luz, poder; e a vida latente, trevas, resistência ao poder; esta a concepção do primeiro tempo, do primeiro mundo, do primeiro cosmos.

6E D-us, seus Poderes, afirma, Haverá potencialidades na matéria primordial, e forças de diferenciação haverá no seu íntimo, produz assim diferenciações na matéria homogênea.

7E D-us, seus Poderes, faz a quintessência da esfera de potencialidades, e produz D-us diversidade entre matéria e matéria primordiais Acima e Abaixo.

8E o Poder criador afirma que Acima é o infinito, e tal a concepção do segundo tempo, do segundo mundo, do segundo cosmos.

9E diz D-us, seus Poderes, o criador, A matéria Abaixo conflui para um só lugar e manifesta-se sua potencialidade. E assim acontece.

10Por isso a potencialidade chama-se repouso, e terra. E à confluência de matéria Abaixo, chama Existir, e águas, e mares. E D- us em seu Poder, ao pensar tudo isso, discerne com bondade.

11 E D-us em seu Poder diz, A terra fará vegetar... [aqui a leitura torna-se a mesma de hoje Gen 1,1-11].

EIS UM resumo de alguns pontos do Zohar - deve certamente refletir a leitura aceita há 2 mil anos quando ainda era viva a tradição dos ideogramas. A escrita ideográfica, pré-alfabética, tem sua percurso peculiar, que transferiu ao Livro. Enfim V. pode concluir neste ficheiro que na origem a Torah representava milhares de anos de Tradições orais um dia registradas, primeiro como ideograma, depois como alfabeto, formando a primeira base para a Lei Revelada que, retroagindo sobre a tradição, constituiu a Escritura tal como hoje a temos. Editou, Paulo Dias. Fontes - Donner, Trebolle.

BERESHIT

O LIVRO DO GENESIS - Na origem

BERESHIT BARAH ELOHIM ET HA-SHAMAIM VE-ET HA-ARETZ

Bereshit = be + reshit: na origem;
Bara = criar;
Elohim = o Nome;
Et = designa o caso acusativo [objeto direto] e antigamente a prepos. ''com''.
Ha shamaim = os céus;
Ve = conj. aditiva ''e'';
Ha aretz = a terra.

IN PRINCIPIUM

EM HEBRAICO, a Torah principia: Bereshit... D-us em seus poderes [ELOHIM] criando [BARAH] fogo-água [SHAMAYM] e terra [VE-ARETZ]. A primeira frase do Livro resume toda a Torah. Em Bereshit [NA ORIGEM] inscrevem-se, em simbolismo, por meio de numerologia e por se assemelharem foneticamente, as palavras - homem (>ysh), - benção (Baruch), - fogo criador (Ësh), [*] - o numeral ''seis'' (Shit) relativo aos dias da criação: bere>SHIt (homem); BEREshit (bendizer); ber>ESHit (fogo); bereSHIT (seis).

Ber'eshit bar'a 'elohim 'et ha-shamaim ve'et ha'aretz. [*]

NENHUMA outra palavra poderia ser mais adequada para iniciar o Livro, e a Cabala estuda tais grandes mistérios. Notemos haver ao todo 6 letras Alef (sinal ') neste primeiro verso, [*] letra que em Cabala simboliza o Sopro que une Criador e criaturas. Alef inicia 'ysh: Homem (=ser masculino); inicia 'adam (=ser humano). Também são 6 os dias míticos do Criador. Simples coincidência?

FORÇANDO um pouco podemos traduzir Bereshit: «tudo começou assim» - Tudo inicia quando Elohim cria os céus e a terra; ou mesmo assim, «era uma vez»... Quando na sinagoga se faz a leitura anual do Livro, a palavra final da Torah é - Israel (no Deut.); a primeira, Bereshit (no Gen.): eis, pois, um recomeço: Israel Bereshit... As 2 palavras formam, simbolicamente, a eterna cadeia transformadora, do aperfeiçoamento progressivo da humanidade que o Povo, no Livro, representa de modo figurado; pois nele unem-se todos os Povos. Para que todos os credos se reúnam, para que cessem todos os ódios, para que se encontrem todos os homens, oh! Eterno, acolhei a nossa prece!...

A Lei - Bereshit

AS OBRAS de MOISES se conhecem, de longa data, como a Lei, Torah (significa, em sentido amplo, modo de vida). Na origem, uma obra inteira. Foi dividida em 5 grandes livros, a iniciar pelo Bereshit ou Gênesis (=Origem: nome dado pelos judeus alexandrinos). Divide-se em 10 unidades, Toledot:

ESTRUTURA DO GENESIS

As Origens, Bereshit;
O Primeiro Homem, Adam;
O Cataclisma, Noah;
A Segunda Humanidade, Bnei Noah;
Origens dos semitas, Sem;
Os Patriarcas - Tera;
Ismael;
Isaque - Ytza'aq;
Esaú - Edom;
Jacó - Ya'aqov.

ALGUMAS destas ainda subdividem-se por temas, segundo o ritmo da leitura: LECH LECHA, em Tera; Vaiera, etc., passos que podem receber um significado especial em Cabala e foram objeto de profundos pensamentos de cabalistas e talmudistas ao longo do tempo, pois, afinal, cada passo de Bereshit em si constitui toda uma doutrina em forma de narrativa.

GENESIS

O Bereshit representa papel essencial em toda a Cabala ao longo do tempo, em especial, no Zohar e no Bahir.

PODEMOS dizer sem grande erro, o registro escrito do GENESIS (Gen) inicia-se a partir de 1000-900 a.E.C. mas em fragmentos penosamente arrancados da Traditiva oral mosaica pelos redatores hoje conhecidos como Javista, Levita. Veja Tanach.

Gen 2,4, do Javista, observado minuciosamente, revela-se um fragmento de grande antiguidade. Em seguida, Gen cap. 15 ss., obra do Elohista e, depois, Gen cap. 1, obra do LEVITA [P]. Alguns trechos, Gen cap. 16 ss., somente poderiam se escrever depois do Exílio, pois mencionam 'anjos', uma doutrina de Zoroastro, desconhecida (ou pelo menos, secreta) antes de 600 a.E.C .

A OBRA de modo nenhum é, como parece, uma longa narrativa sobre as origens do mundo. Se assim fosse, seria puro mito. Constitui um Repensar em forma de narrativa, um pedido do Inconsciente para que alma volte-se para dentro de si mesma. Neste sentido tem sido entendida pelo Bahir, que muitas vezes dedica-se a minudenciar uma pequena frase, na busca do conhecimento do Si Mesmo. Fontes - Trebolle, Kaplan, Donner, o Zohar e outras. [**]. Editor- Paulo Dias.

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[*1] [Sopherim] = Soferim. [
*2] [Chochmah, Hokhmah], discernimento, hh = ch = rr.
[*3] [Ber'eshit] O sinal ' representa o Alef, que surge 6 vezes no primeiro verso do GENESIS.
NOTAS: [*] OS SINAIS > (>e), o trema ë, ä, simbolizam a letra Alef, letra muda ou aspiração surda do hebraico, um hiato na voz. T-N-K: Tanach ou Tanakh ou Tanahh. Esh ou 'Esh ou Ësh; ch = rr; sh=x. ALEF:
A PRIMEIRA LETRA DO ALFABETO. [**]. BERESHIT, Gênesis, livro inicial do Tanach, a Escritura dividida em 3 partes: Torah + Nevim + Ketubim = TNK [TANACH]. Torah ou Lei (Pentateuco mosaico); Nevim (Profetas); Ketubim (Escritos). O QUE chamamos de BIBLIA no Ocidente forma a versão grega do Tanach feita em Alexandria por Setenta rabis (os Setenta) no se'c. II a.E.C. ao redor do ano 300 a.E.C. e que se tornou a Escritura católica ao admitir livros judaicos em grego correntes naquela altura mas recusados hoje pelos israelitas: Apócrifos e pseudoepígrafos: Macabeus, Tobias, Sabedoria, Eclesiástico; e também a Bíblia católica adopta outra ordem e divide diferentemente os livros. A ESCRITURA grega dos Setenta reflete os antigos judeus alexandrinos. No tempo de Simeon bar Yochai havia 3 principais vertentes judaicas: as de Alexandria, Jerusalém e Babilônia com grandes variantes textuais entre elas. Naquele tempo a Bíblia (=Livros) era, como o seu nome indica, uma serial de livros ou mesmo uma biblioteca inteira. A Bíblia protestante fica 'a meio caminho' entre a católica e a judaica, admite somente os livros judaicos mas na ordem católica. Macabeus, Tobias, Sabedoria, Eclesiástico ficam de fora da Bíblia protestante.

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